Maquiavélicas Eleitorais

Atualizando Machiavelli, para a nossa diversão.

I – O mal pode ser feito durante quatro anos, mas o bem deve ser feito todo de uma vez só -  e em ano eleitoral. A memória afetiva da raiva e da dor se dissolverá  se o mal for feito paulatinamente, enquanto é preciso que a sensação de contentamento, em decorrência da obra inaugurada ou do recurso público distribuído, dure pelo menos até a eleição.

II – Ninguém nunca vai  realmente saber quem você é, se souber gerenciar o que você faz, diz e o modo como se apresenta. O manejo das aparências é a única forma eficaz de controlar a opinião alheia sobre você. Cuide das aparências e os jornalistas se encarregarão de distribuí-la aos eleitores.

III -  É melhor parecer do que ser, porque as circunstâncias mudam e é mais fácil mudar a sua imagem do que aquilo que você realmente é. Vão chamar isso de “hipocrisia” ou ”incoerência”, mas você mesmo a deve chamar de ”flexibilidade”.

IV – Em política, não existe imagem boa ou má, existe só imagem conveniente ou incoveniente. Às vezes é conveniente ter características que a sua avó, religiosa e pia, acharia apropriadas apenas a pessoas de má catadura. Outras vezes será inconveniente parcer bonzinho e honesto. E o que é conveniente um dia pode ser incoveniente noutro porque os eleitores e os jornalistas mudam frquentemente de opinião.

V – Importe-se com o destinatário da sua mensagem, não com o público em geral. Seria ótimo ser amado e aprovado por todos, mas visto ser isso impossível, concentre-se naqueles cujos votos você pode conseguir, sem espantar os outros, claro. Se for preciso escolher, agrade aos pobres (lembre-se que para agradar aos pobres é preciso agradar os pobres…e isso não é só uma diferença de regência verbal), e aos com baixa escolaridade, pois eles têm um maior estoque de votos do que todos os outros. Lembre-se de que o incoveniente da democracia é que você precisa ser popular para ser eleito.

VI -Lembre-se de que você corre o risco de ser eleito. Nesse caso, seu “eleitorado” muda, pois precisará do voto dos que foram eleitos como voce.  As características desse novo público é a mesma dos eleitores em geral, exceto que além de mimos e afagos eles gostam também de  controlar cargos e recursos públicos. Nesse caso, ser amado e ser temido são igualmente convenientes para que voce obtenha o que quiser, mas, se tiver que escolher, é melhor ser temido do que amado, porque o medo é uma emoção mais estável e confiável do que o amor.

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Sem categoria, comportamento, comunicação política, eleições, esfera pública, pragmatismo político

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