Um centro de pesquisas sobre democracia e internet

Em 2010, a UFBA terá um centro de pesquisas, novinho em folha, para estudar  o impacto das tencologias digitais de comunicação sobre a democracia e sobre o governo. Ou o meios e modos de se empregar tecnologias digitais para se reforçar ou reparar a democracia e para se produzir uma governança mais democrática. Dá no mesmo.

Todo mundo sabe que o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, que completará vinte anos também em 2010, tem uma considerável capacidade de pesquisa instalada na área de internet e impactos socio-culturais das novas tecnologias de comunicação. Além de outra, igualmente reconhecida, na área de comunicação e política. Essas duas linhas de pesquisa atraem alunos do Brasil inteiro interessados em fazer dissertações ou teses sob a orientação de André Lemos, Marcos Palácios, Othon Jambeiro, deste escriba e de tantos outros colegas. Mas um centro de pesquisas de ponta, situado na confluência das duas linhas de pesquisa é um sonho que se começou a sonhar há bem pouco. Na verdade, começou no jantar de confraternização do PPG no final de 2008, quando, por acaso, sentei ao lado de Othon Jambeiro. Do sonho à mobilização dos pesquisadores, daí à realização dos projetos e, enfim, ao dinheiro, foi tudo incrivelmente rápido. Sinal dos tempos. Foram quatro projetos, para quatro editais de quatro diferentes agências, produzidos e submetidos entre fevereiro e setembro. Aliás, quatro dos editais mais difíceis, porque disputados a velas pandas pela elite do campo científico brasileiro.

Em fevereiro, ainda nas férias, a correria para encarar o ProInfra da FINEP, o único edital para construção de estrutura física que ainda temos no Brasil, disputado com tudo pela pró-reitorias porque é a única fonte de recurso para construir e consertar prédios. Lá pela metade do ano, o PNPD (Programa Nacional de Pós-Doutorado) – linha Capes, uma novidade no panorama. Esse te dá recursos humanos para tocar projetos, na forma de jovens doutores com bolsas de até cinco anos. Disputadíssimo. Afinal, quem não quer um dois doutores jovens e altamente produtivos tocando os laboratórios? Em seguida, Edital Universal, CNPq com dinheiro dos fundos setoriais, que é universal porque todas as áreas disputam entre si. Por fim, em setembro, o PRONEX, Programa de Núcleos de Excelência, Fapesb/CNPq. Um edital chato, cheio de papelada, e com exigências difíceis de cumprir (um caminhão de pesquisadores 1 do CNPq, inclusive algum da Bahia, fora da UFBA). 

Depois, muita espera e muita inquietação: ganhar a infra-estrutura física, mas sem grana para as máquinas, os móveis e os equipamentos, não adiantaria muito. Nem o contrário. Se tivéssemos os novos doutores, mas sem ter onde acomodá-los e sem equipamento, tampouco serviria. E vice-versa.  Mas foi um ano perfeito! Ganhamos todos, um a um, num espaço de seis meses. R$ 426.000 para construir um prédio, dois (o máximo) jovens doutores para levar adiante os projetos e, de quebra, R$ 72.000,00 para custeio, R$ 35.000 para equipamentos do Universal e R$ 775.000,00 do Pronex para instalações, todas máquinas, laboratórios e serviços básicos. Enfim, ganhamos no total R$ 1.546.082,00. Muito além dos sonhos mais otimistas. Acho que mesmo tirando os R$ 82,00, que pretendo gastar em cerveja e caranguejos (é brincadeira, TCU!), o que sobra dá para fazer um centrinho de pesquisas danado de bom. É assim que em 2010, depois de vinte anos ralando na UFBA e no sistema nacional de pós-graduação, acho que vou ver surgir, ao lado da Facom, o Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital e Governo Eletrônico. Toda ajuda será bem-vinda.

Democracia digital, Inclusão digital, Internet, Política, esfera pública, teoria democrática

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